TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA
Análise do Filme
Baseada na peça homônima de Nelson Rodrigues, o filme Toda Nudez Será Castigada, dirigido (e com roteiro adaptado) por Arnaldo Jabor, é um drama de família. É uma crítica mordaz da subcultura da família de “classe média” no Brasil. O humor é meramente um recurso estilístico para expor as degradações e taras de uma sociabilidade barroca e hipócrita, típica de um capitalismo hipertardio de extração colonial-prussiana. Esse tipo de objetivação do capitalismo no Brasil criou uma sociabilidade perversa (e pervertida) em suas várias instâncias sócio-reprodutivas. O realismo desbragado de Nelson Rodrigues é sintoma dessa sociedade capitalista inconclusa em sua modernização tardia. É uma incompletude que atinge não apenas as estruturas de produção do capital, mas suas instâncias de reprodução social. Atinge não apenas as instituições políticas do Estado e da sociedade civil, com uma democracia representativa gelatinosa; mas a subjetividade corroída, invertida e problemática de homens e mulheres da “classe média”.O filme começa com uma situação-limite: Herculano, um viúvo que pauta sua vida por rígidos códigos familiares e religiosos, não suporta mais o vazio existencial de um núcleo familiar esgarçado pela morte da mulher. Totalmente imerso em sua profunda depressão, continua decidido a manter-se fiel à mulher falecida. As tias, temendo que ele cometa suicídio, suplicam ao outro sobrinho, irmão de Herculano, Patrício (representado por Paulo César Pereio), que procure alguém para preencher o vazio existencial na vida de Herculano. Patricio, desempregado, dependente de Herculano, decide apresentar a ele uma prostituta, Geni (Darlene Glória). Para Patricio, o sexo é a solução para seu irmão, semi-virgem. É Patrício, o malandro, que introduz os elementos diruptivos da estrutura narrativa do filme (Primeiro, Geni, e depois, de modo indireto, o ladrão boliviano – o interessante é que os dois personagens são de origem popular).
O NOME DA ROSA
Análise do Filme
Ficção de estreia de um dos mais respeitados teóricos da
semiótica, "O Nome da Rosa" transformou-se em prodígio editorial logo
após seu lançamento, em 1980.
Tamanho sucesso não parecia provável para um romance cuja
trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de
1327.
Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade
franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso,
envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e
sete noites.
Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro
- a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza ajuda a explicar o título
do romance: "o nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média
para denotar o infinito poder das palavras.
Narrado com a astúcia e a graça de quem apreciou (e
explicou) como poucos as artes do romance policial, "O Nome da Rosa"
encena discussões de grandes temas da filosofia europeia, num contexto que faz
desses debates um ingrediente a mais da ficção.

